SINDASP-MG realiza inspeções sindicais em unidades da região do Vale do Aço

29 Jun 12:48 2017 Por SINDASP Imprimir

O Presidente do SINDASP-MG Adeilton Rocha esteve, durante o início desta semana, na região do Vale do Aço em inspeção sindical na Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, em Ipaba, no Ceresp de Ipatinga, no Presídio de Coronel Fabriciano e no Presídio de Malacacheta. Foi constatado, em unanimidade, o abandono do Estado. Todas as unidades apresentaram problemas de infraestrutura e superlotação.

O Sindicato iniciou as inspeções na segunda-feira (26.06) em Ipaba. A Unidade Prisional que foi assumida em 1995 com a capacidade para alocar 348 presos, hoje possui mais de 1300 detentos sob custódia de cerca de 193 agentes. Além da superlotação e do déficit de Agentes, foram constatadas diversas falhas na segurança da unidade que já resultou em várias fugas.

Logo na entrada da Penitenciária, próxima a portaria, fica a cela do Centro de Observação Criminológica (COC), que já foi adotada como local permanente de presos, com cerca de 70 detentos e uma estrutura totalmente inapropriada, sem grades e com janelas basculantes de vidro, que podem ser facilmente quebradas pelo detentos, cercada apenas por um alambrado de tela com mais de 20 anos.

Na área externa dos muros da unidade, mas ainda dentro do alambrado, funciona a escola, sem qualquer segurança. O espaço improvisado conta apenas com um alambrado de tela e a estrutura que a sustenta está apodrecida. Já o local onde deveria funcionar as salas de aula, na parte murada do pavilhão, se tornou igreja evangélica. Dos quatro pavilhões, apenas dois encontram-se corretamente gradeados.

O SINDASP-MG então registrou a situação caótica encontrada na unidade para os devidos encaminhamentos e retornou à unidade no dia seguinte para conversar com os ASPs. Na ocasião, os servidores reivindicaram o retorno da Carga Horária dos postos fixos, que funcionavam no regime de semana cheia / semana vazia e foram trocados recentemente pela diretoria.

O Presidente do Sindicato imediatamente levou a questão, com um abaixo assinado dos Agentes, ao Diretor Geral da Unidade João Batista, que disse não ver nenhum empecilho em voltar com a carga horária anterior. Em seguida, Adeilton foi convidado para conhecer o estande montado para a realização dos TECAFs da região do Vale do Aço, que está será realizado com uso dos EPIs doados pelo SINDASP-MG.

Após visitar a unidade de Ipaba, o SINDASP-MG esteve no Ceresp de Ipatinga, onde a situação encontrada também é crítica. Próximo a completar um ano desde a última grande rebelião, que destruiu grande parte da estrutura da unidade, nada foi reformado. O Centro de Remanejamento continua sem portaria, sem alojamentos e refeitório para uso do ASPs. A frente das celas estão totalmente danificadas e precisam ser reconstruídas.

Foi informado ao Sindicato que o Governo pretende fazer apenas alguns ajustes paliativos. O Presidente já deixou claro que qualquer medida paliativa será questionada pelo SINDASP-MG, que cobrará soluções definitivas, ainda mais diante do estado crítico encontrado na unidade.

Já na terça-feira, Adeilton visitou a unidade de Coronel Fabriciano e foi recebido pelo Diretor de Segurança Isaqueu. O Presidente do SINDASP-MG conversou com os ASPs da unidade, ouviu e registrou as demandas. A estrutura do Presídio possui apenas um pavilhão com capacidade para 190 presos e encontra-se, atualmente, com mais de 400 detentos. O local não possui muro e os fundos da unidade possui apenas uma tela. Uma reivindicação antiga da diretoria é a colocação de uma proteção de ferro para o pátio, porém até hoje não foi instalada.

Após registrar a situação e as reivindicações do Presídio de Coronel Fabriciano, o SINDASP-MG seguiu para a unidade de Malacacheta, onde foi recebido pelo Diretor Abdala e pelo ASP Alan, único ASP presente na unidade, sendo que os demais estavam em escolta no Fórum da cidade há mais de 9 horas, ou seja, o alto déficit de pessoal fez com que a unidade ficasse totalmente desguarnecida.

Na frente da unidade ainda funciona a delegacia da Polícia Civil, enquanto a carceragem fica aos fundos. Não há uma área administrativa para o presídio devido à um impasse entre a SEAP e a Polícia Civil. A unidade encontra-se totalmente vulnerável, com apenas uma tela na parte da frente. Já em relação à área da carceragem, não há grandes problemas em sua estrutura. Porém, a superlotação também é presente: com capacidade para 28 presos, a unidade comporta hoje mais de 60 detentos.

Por fim, Adeilton registrou a situação caótica encontrada em todas as unidades, que abrigam, de forma assustadora, um número de presos muito acima de sua capacidade. Foi unânime também a falta equipamentos, o desgaste nas viaturas e a carga horária desgastante, extrapoladas de forma desumana.

O SINDASP-MG registrou tudo em relatório e dará encaminhamento às reivindicações através dos órgãos responsáveis pela administração e fiscalização das unidades e acompanhará de perto os desdobramentos, cobrando soluções imediatas.

Notícias relacionadas