Celular custa até R$ 30 mil dentro da Nelson Hungria

5 Abr 11:46 2018 Por SINDASP Imprimir

Um celular: até R$ 30 mil. Uma bateria que varia de R$ 100 a R$ 1.000. Se o sonho de consumo de muitos brasileiros em ter um smartphone de última geração, muitas vezes, fica comprometido pela crise, na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, a recessão parece não ter chegado.

Criminosos que se transformaram em detentos do presídio – considerado de segurança máxima – andam ostentando celulares modernos que, no mercado formal, custariam ao brasileiro R$ 4.000.

De acordo com o vice-presidente da Associação Mineira dos Agentes e Servidores Prisionais (Amasp), Luiz Gelada, o poder financeiro dos chamados “patrões” da penitenciária – detentos que comandam facções criminosas e que cumprem pena na unidade – está inflacionando o mercado clandestino da prisão. Segundo Gelada, os detentos chegam a pagar até R$ 30 mil por um smartphone.

Ainda de acordo com o sindicalista, durante o último pente-fino feito na unidade prisional, na semana passada, três celulares de última geração foram encontrados no pavilhão 2.

“A maioria desses aparelhos é muito pequena, muitos usam até celulares-relógios, que entram introduzidos durante a visita de parentes. Mas estamos percebendo a presença de aparelhos grandes”, explicou. “Não tem como entrar com um aparelho desses introduzido no corpo. Infelizmente, tem a ação de quadrilhas que têm agentes corruptos no meio deles”, denuncia o vice-presidente da entidade que representa os agentes.

Falhas. 
Em entrevista à rádio Super Notícia FM, o juiz Wagner Cavalieri, da Vara de Execuções Penais de Contagem, reconheceu que os bloqueadores utilizados na unidade não são eficientes. E, como se não bastasse a gravidade da situação, o juiz ainda revelou que, em alguns casos, os aparelhos chegam a funcionar melhor nas celas do que em outros locais dentro do presídio. “Essa questão é sensível na unidade e no sistema prisional de um modo geral. Há muito tempo mando ofícios para setores do governo solicitando bloqueadores eficientes na unidade. Temos consciência de que têm havido falhas que não poderiam ocorrer, em especial na Nelson Hungria. Tem o outro aspecto, das operadoras de telefonia, que deveriam fazer o bloqueio final em determinadas áreas. É inadmissível”, ressaltou o juiz de Contagem.

Apuração. 
Questionada na tarde desta quarta-feira (4) sobre o comércio de celulares na penitenciária Nelson Hungria, a Secretaria de Estado de Administração Prisional informou que a demanda foi encaminhada à área técnica para levantamento dos dados.

 

Fonte: (Jornal O Tempo  - André Santos e Leticia Fontes)

 

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